Fábio Bastos - Desenvolvedor WordPress em BH. Desenvolvimento Front-end e Back-End

Desenvolvedor WordPress, Web Designer e Programador

Curtir, compartilhar, copiar, colar…


É difícil pensar em compartilhamento de informações na internet sem pensar no ato de copiar e colar. Mas o importante talvez seja analisar o porquê dessa prática. O autor Seth Godin, estudioso e referência na área de redes sociais e marketing, listou algumas possibilidades que ele acredita que sejam razões. Entre as suposições do autor, estão o fato das pessoas sentirem-se generosas ao compartilhar determinado conteúdo, mas também por quererem passar ar de inteligência. Outros ligam o compartilhamento a benefícios financeiros, desabafo, identificação com marcas, manter ordem da tribo e retribuição, entre outros. Neste caso, o compartilhamento pode ser tanto no sentido de se transmitir um conhecimento quanto de simplesmente copiar algo e retransmitir para um novo público, que o “copiador” acredita ter interesse.

compartilhando conhecimento na internetQuando, nos anos 1970, Ted Nelson criou seu sistema Xanadu, que ele diz ter sido copiado por Tim Berners Lee na criação da World Wide Web (WWW), o sistema tinha, entre tantas, uma diferença muito importante da WWW. No Xanadu, quando uma informação fosse copiada de determinada página e colada em outra, ela traria automaticamente dados sobre sua origem e um linkback para o site do qual ela foi retirada. É certo que na Web atual existem protocolos do tipo pingback/trackback que mencionam páginas usando seu conteúdo, mas é necessário que o usuário que copiou insira um link apontando para a página original e que ambos os sites tenham o sistema do pingback em funcionamento através de seu código fonte.

Pensando em Ted Nelson podemos retirar duas coisas dentro desse tema proposto. Primeiro, ele foi o criador dos termos e conceitos de hipertexto e hipermídia, sem os quais a internet não funcionaria como é. Segundo, se seu sistema Xanadu não tivesse sido copiado e reutilizado, não teríamos a WWW.

Ser inovador é criar algo a partir do zero?

A ideia de criação e criatividade está sempre ligada a algo único e novo, mas revoluções podem ser retiradas de outros sistemas e reutilizadas para criar algo novo. Se pensarmos que algo só pode ser inovador e criativo quando feito a partir do nada, teríamos que reinventar a roda e, a partir dela, recriar tudo que tivesse que ser usado na invenção de um novo carro, ou forma de veículo sobre rodas em geral.

Porém, como explicado no primeiro parágrafo, o ato de copiar e colar também pode, muitas vezes, estar ligado a transmitir ideias. Podemos ver na frase de alguém aquilo que queremos transmitir e, então, simplesmente compartilhamos seu conhecimento como se fosse nosso, mesmo que tendo a assinatura da fonte. É uma forma de tentar mostrar um pouco de nossa personalidade através de citações alheias.

O que seriam os memes da internet senão formas de querer participar de determinada discussão, que às vezes nem existe? Seth Godin afirma que a internet proporciona que pessoas dos mais diferentes e esquisitos tipos possam formar grupos e se encontrar, discutir, relacionar, se apaixonar e muito mais. É o que ele chama de tribos. Apesar de não ter cunhado o termo, o autor mostra como eles funcionam na internet e como o marketing pode aproveitar desses nichos e segmentos para alcançar e até mesmo fidelizar consumidores.

Através dos memes as pessoas podem transmitir mensagens, reclamar, se desculpar ou formar grupos em torno, por exemplo, de eventos. É comum que eventos ligados a tecnologia disponibilizarem uma Hashtag para que os participantes discutam via Twitter o conteúdo que estão presenciando. Isso, além de ser uma nova tribo em torno de um tema, acaba divulgando o evento e os envolvidos de forma simples e confiável.

Copiar ou co-criar?

Aplicações open source são fruto de co-criação e compartilhamento de ideias

Finalizando, é preciso diferenciar cópia de co-criação, principalmente em se tratando da internet e de suas ferramentas open source. Sem essas possibilidades,

torna-se muito mais difícil que algum profissional referência em determinada área possa criar um blog e escrever sobre o assunto que domina. Se ele tivesse que parar para criar o sistema de um blog ou de contratar alguém para isso, ele deixaria de compartilhar gratuitamente seu conhecimento para os interessados.

O open source já é um tema real mesmo dentro do jornalismo. O velho paradigma do emissor > receptor não funciona mais com a Web atual. Nela, o conteúdo é formado pela junção da multimídia com a interpretação e intervenção do público e o resultado disso é a hipermídia, que é a real linguagem da internet, segundo Lúcia Santaella. Na web, as notícias ou qualquer tipo de informação podem ser modificadas, melhoradas e complementadas através de comentários e/ou compartilhamentos. Isso sim forma o verdadeiro conteúdo, coletivo e sempre mutante.

 

Referências

GODIN, Seth. I Spread a ideia because… Disponível em http://sethgodin.typepad.com/seths_blog/2010/10/ideas-spread-when.html Acesso em (24/05/2011)

GODIN, Seth. Sobre as tribos que lideramos. Disponível em http://www.ted.com/talks/lang/por_pt/seth_godin_on_the_tribes_we_lead.html Acesso em (24/05/2011)

NELSON, Ted. Disponível em http://ted.hyperland.com/

SANTAELLA, Lucia. Navegando no ciberespaço: o perfil cognitivo do leitor imersivo. São Paulo, Paulus, 2003.


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